O Plano de Gestão dos Jardins Burle Marx do Recife foi o grande vencedor do Prêmio Vasconcelos Sobrinho concedido pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), na categoria Destaque Municipal. Criado em 1990 pelo órgão, o Prêmio Vasconcelos Sobrinho homenageia um dos primeiros pernambucanos a lutar pelas causas ambientais no estado.

Janaina Granja, coordenadora do Comitê Jardins Históricos Burle Marx, ressaltou o papel de protagonismo do Recife por meio da iniciativa “A capital pernambucana foi a primeira do Brasil a regulamentar seus jardins históricos. Ao todo, 15 jardins desenhados pelo paisagista Burle Marx na década de 1930 agora são considerados patrimônio histórico e ambiental, após a adoção, em 2015, do conceito da Carta de Florença. Esse reconhecimento só mostra que estamos no caminho certo”.

O Comitê foi instituído em outubro de 2018 através do Decreto 31.853 e engloba 19 entidades. Coordenado pelo Gabinete do vice-prefeito junto com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, o Comitê é formado por CAU-PE, Emlurb, Iphan; Fundarpe, IAB, Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pelas Secretarias municipais de Mobilidade e Controle Urbano;Planejamento Urbano e Turismo, Esportes e Lazer.

Janaína Granja (de branco) é coordenadora do Comitê Jardins Históricos Burle Marx. Foto: Divulgação

Janaína Granja (de branco) é coordenadora do Comitê Jardins Históricos Burle Marx. Foto: Divulgação

Além de planejar e realizar a Semana Burle Marx, que é pensada para destacar o importante patrimônio cultural e paisagístico do Recife, é tarefa do Comitê atuar na linha da educação patrimonial, bem como acompanhar a elaboração dos planos de gestão de jardins históricos.

Para Ana Rita Sá Carneiro, Coordenadora do Laboratório da Paisagem da UFPE, o comitê constitui uma ferramenta para a conservação da própria história da cidade e dos recifenses. “Burle Marx deixou um legado muito valioso para nós, não só sobre construção de jardins. Estamos cultivando e pensando sobre nós mesmos, só que o jardim não existe sozinho, ele existe através do tratamento feito pelas pessoas. Então o Comitê está sendo organizado para defender essa causa. Em minha opinião, é um grande exemplo de carinho, preservação e amor pela cidade”, defende.

Plano de Gestão

O Plano de Gestão e Conservação foi construído em várias etapas, a partir de agosto de 2018, com a realização de seminários e oficinas envolvendo a sociedade civil e entidades urbanísticas, culminando com a realização da audiência pública, que discutiu as diretrizes para a preservação e conservação dos jardins, e será, posteriormente, entregue ao prefeito. Ao todo, aconteceram mais de 14 reuniões com a participação do poder público e da sociedade, responsável por zelar o patrimônio histórico, cultural e ambiental. A audiência pública reuniu mais de 100 pessoas que, juntas, discutiram sobre conservação das praças.

O objetivo do Plano de Gestão, é formular uma estratégia e pactuar um modelo de gestão a ser adotado no cotidiano das ações públicas e da sociedade no gerenciamento dos Jardins Históricos de Burle Marx no Recife, respeitando as orientações estabelecidas nas Cartas Patrimoniais de Florença (1981) e de Juiz de Fora (2010) onde determina que a salvaguarda dos jardins históricos exige que os mesmos sejam identificados e inventariados, impondo-se intervenções diversas, de manutenção, de conservação e de recuperação.

O documento que garante a elevação das praças à categoria de Jardins Históricos contempla com o título as seguintes praças: Casa Forte; Euclides da Cunha, na Madalena; República e Jardim Campo Princesas, no bairro de Santo Antônio; Derby; Salgado Filho, em frente ao Aeroporto Internacional dos Guararapes; Faria Neves, em frente ao Horto de Dois Irmãos; Pinto Damaso, na Várzea; Entroncamento, nas Graças; Chora Menino, no Paissandu; Maciel Pinheiro, na Boa Vista; Dezessete, em Santo Antônio; Artur Oscar, conhecida como Arsenal, no Bairro do Recife; o Jardim da Capela da Jaqueira; o Largo da Paz, em Afogados; e o Largo das Cinco Pontas, no bairro de São José.

Vasconcelos Sobrinho

João Vasconcelos Sobrinho é considerado Pai da Ecologia. Foto: Divulgação

João Vasconcelos Sobrinho foi engenheiro agrônomo de profissão e ambientalista por vocação, Faleceu em 1989, mas continua sendo um exemplo a ser lembrado e seguido. Filho de José Francisco Correia de Vasconcelos e Rita Pinto de Vasconcelos, Vasconcelos Sobrinho nasceu em Moreno, Pernambuco, em 28 de abril de 1908 e formou-se engenheiro Agrônomo pela Escola Superior de Agricultura de São Bento, hoje incorporada à UFRPE.

Entre as tantas contribuições de Vasconcelos Sobrinho às causas ambientais por meio de pesquisas, gestão e literatura específica, listamos sua atuação como fundador e ex-diretor do Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos, hoje Parque Ecológico de Dois Irmãos; professor titular da disciplina de Ecologia da UFRPE; fundador e supervisor da Estação Ecológica de Tapacurá; diretor do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura, posteriormente denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF; membro da Delegação Brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação, realizada em Nairobi, em 1977; fundador e diretor do Serviço de Inspeção Florestal e Proteção à Natureza do Estado de Pernambuco.

Vasconcelos Sobrinho escreveu e publicou mais de trinta livros, entre eles Estudos e Observações sobre as Matas de Pernambuco (1937), O Problema Florestal do Nordeste (1940), As regiões naturais de Pernambuco, o meio e a civilização (1949), Regiões Naturais do Nordeste (1971), Catecismo da Ecologia (1982) e Desertificação no Nordeste do Brasil (coletânea de trabalhos publicados pelo Departamento de Recursos Naturais da Sudene, 2002).

Ao promover este concurso, a CPRH quer dar visibilidade aos esforços dos que, assim como Vasconcelos Sobrinho, estão agindo para a melhoria das condições ambientais e da qualidade de vida da população.

Fonte: Diario de Pernambuco